ISO

Desde 1987, o Comitê Técnico da ISO responsável pelas normas de qualidade já lançou várias edições, com revisões das normas e diretrizes que compõem a família de normas da série ISO 9000.

As principais normas da série ISO 9000 são:

  • ISO 9000:2015 – Sistema de Gestão da Qualidade – Fundamentos e Vocabulário
  • ISO 9001:2015 – Sistema de Gestão da Qualidade – Requisitos
  • ISO 9004:2010 – Gestão para o sucesso sustentado de uma organização – uma abordagem da gestão da qualidade

A ISO 9001:2015 é a norma principal, que apresenta os requisitos de gestão da qualidade que compõem o sistema de gestão da qualidade estabelecido como modelo pela ISO, e tem por finalidade a certificação de sistemas da qualidade segundo seus requisitos.

A ISO 9001:2015 apresenta os princípios de gestão que fundamentam o sistema, além de definir os termos usados pela ISO 9001:2015.

Já a ISO 9004:2010 comenta os requisitos estabelecidos pela ISO 9001:2015 e, portanto, tem por objetivo auxiliar a implementação do sistema da qualidade ISO 9001:2015.

A revisão de 2000 da ISO 9001 introduziu grandes modificações no conjunto de requisitos do sistema da qualidade anterior e no conjunto de normas da série ISO 9000.

Primeiramente, o sistema da qualidade foi amplamente revisto, tendo como base os princípios da gestão da qualidade total, dando maior importância ao comprometimento da alta administração para a gestão da qualidade, à gestão de recursos e à gestão da melhoria contínua do sistema, fundamentais para a garantia da qualidade na realização do produto.

Uma primeira consequência dessa revisão foi a evolução do objetivo principal da norma, de “garantia” para “gestão”, implícito nos termos usados pela ISO 9001 respectivamente nas edições anteriores e posteriores a 2000. Ou seja, o termo garantia da qualidade era empregado com o sentido de prover confiança às partes interessadas, especialmente aos Clientes, mas também aos organismos certificadores, de que a organização garantia a qualidade visando o pleno atendimento aos requisitos.

A partir da revisão de 2000, o sistema de gestão da qualidade da ISO 9001 tem um propósito claro de evidenciar aos Clientes que a organização gerencia suas atividades de forma a minimizar a chance de não conformidades, e com isso maximizar a chance de os requisitos dos Clientes serem atendidos, e assim garantir a qualidade do produto.

Até a revisão de 1994, os sistemas de gestão da qualidade ISO eram intitulados como “modelos para a garantia da qualidade”, dando ênfase a essa ideia de prover evidências quanto ao atendimento de requisitos.

No entanto, essa ênfase na garantia da qualidade acabou criando uma situação insustentável, pois algumas empresas, com o objetivo de certificação somente, tentavam demonstrar a garantia da qualidade por meio de um sistema documental, sem de fato estabelecer processos de gestão da qualidade que pudessem levar à garantia da qualidade.

Assim, a alteração nas normas não foi apenas de terminologia, já que os requisitos do sistema da qualidade a partir da edição de 2000 incorporam os princípios de gestão da qualidade.

A partir da revisão de 2000, a ISO define apenas um modelo e certificado de sistema da qualidade, eliminando dois modelos variantes de sistema da qualidade, a saber, a ISO 9002:2004 – Sistemas da Qualidade – Modelo para garantia da qualidade em produção, instalação e serviços associados, e a ISO 9003:2004 – Sistemas da Qualidade – Modelo para garantia da qualidade em inspeção e ensaios finais.

A abrangência do sistema decorre, atualmente, da abrangência das atividades realizadas pela organização.

Assim, se a empresa produz um determinado produto a partir do projeto fornecido pelo Cliente, o sistema da qualidade da empresa não contemplará os requisitos estabelecidos na norma para projeto de produto, pela razão óbvia de que a empresa não realiza projeto de produto.

Essa alteração eliminou uma prática inapropriada que havia se tornado comum: as empresas optavam por certificar apenas uma parte do ciclo produtivo.

Por exemplo, a empresa era certificada pela ISO 9002, quando na verdade deveria passar pela auditoria da ISO 9001, já que suas atividades eram mais abrangentes, ou seja, também desenvolviam produtos.

Essa estratégia, adotada por vária empresas, simplificava mas ao mesmo tempo comprometia a eficácia do sistema e a credibilidade dos certificados.

Outra alteração importante a partir da revisão de 2000 foi a eliminação da necessidade de documentação de grande parte do sistema da qualidade, mantendo-se a necessidade de documentação apenas em alguns requisitos. Essa mudança trouxe vários benefícios.

Primeiro, simplificou o projeto e principalmente a manutenção do sistema documental da qualidade, minimizando a burocracia necessária para a manutenção do sistema.

Essa mudança também contemplou uma crítica que se fazia quanto à excessiva documentação gerada pelo sistema da qualidade. Com a não obrigatoriedade de documentação de grande parte dos procedimentos de gestão da qualidade, as auditorias de certificação passaram a buscar outras evidências, mais factuais, da aplicação dos requisitos da ISO 9001.

Dessa forma, as empresas se viram forçadas a “tirar do papel” e de fato implementar a gestão da qualidade. Consequentemente, as auditorias de certificação se tornarem mais eficazes e os certificados começaram a recuperar a credibilidade junto ao mercado.

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